quarta-feira, 8 de abril de 2009

REPENSAR DA PRÁTICA PEDAGÓGICA NA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ESCRITA

Com base nas leituras realizadas, observa-se que o nível de aprendizagem da língua escrita não está aquém do desejado, desde que o sistema incorporou o construtivismo, a qualidade do ensino vem se degradando anualmente.

Alfabetizar na concepção construtivista não está correspondendo às expectativas de da nossa clientela, como alguns estudiosos também vejo o construtivismo como elitista, pois a idéia construtivista leva em consideração a bagagem que os alunos que chegam à primeira vez na escola já trazem, até concordo que os aprendizes trazem uma bagagem. Mas que bagagem é essa trazida por eles? Será que contribuirá para o seu desenvolvimento cognitivo do mundo letrado? Como esta bagagem contribuirá para o seu desenvolvimento autônomo - como prega o construtivismo - se na maioria das vezes nossos alunos de escola pública são de família paupérrima, onde mal tem o que comer, são filhos de pais analfabetos ou semi - analfabetos e quando não, trabalham o dia inteiro para o sustento da família. Dessa forma, constata-se que a bagagem trazidas muitas vezes por esses alunos é muitas vezes vazia... esses pais deixam a tarefa de educar, de aprender a ler e a escrever para a escola, compreendendo que somente a ela cabe a este papel, é quando a criança vai ter os seus primeiros contatos com o mundo letrado. Como alfabetizar esses alunos?

Desde que foi adotado o construtivismo nas instituições públicas a qualidade do ensino caiu consideravelmente, não só as pesquisas mostram, como vemos nitidamente nossos alunos prejudicados conclu - segundo as pesquisas - quando vemos nossos alunos concluindo ensino médio sem dominar as regras ortográfica da língua e assim por diante. E o que devemos fazer enquanto educadores, alfabetizadores?

Como alfabetizadora há mais de 7 anos, confesso que só a idéia construtivista não atende as expectativas dos nossos alunos. Na minha prática pedagógica, observo que temos casos e casos, cada um com suas especificidades, com suas necessidades e etc. E que método utilizar para atender essas particularidades? Penso que não existe uma receita pronta - como o Sistema de Ensino pensa que existe. Eu usufruo do método misto: fazendo uso de vários, do alfabético ao construtivismo, dando ênfase ao fônico que corresponde a nossa realidade local e obtendo sucesso ao término de cada ano.

Quanto ao construtivismo, defendo algumas de suas idéias. Como método avaliativo utilizo o portfólio com ditados para diagnosticar o nível de aprendizagem de cada um deles individualmente para a partir daí desenvolver atividades que atenda a cada fase correspondente ao alunado e fazendo com que o mesmo avance para a fase seguinte. Baseio-me na teoria de Emilia Ferreiro, Psicogênese da Língua Escrita.

Sendo assim, não acredito na ideia da receita pronta, como passam para nós nessas tais formações continuadas oferecidas pelos municípios. Enquanto docentes, devemos identificar em que nível se encontra o aprendiz e aprimorar a nossa pratica pedagógicas as necessidades de cada um de acordo com a realidade local.

PAÍSES E MÉTODOS UTILIZADOS NA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA LOCAL

Brasil: Construtivismo - Concepção que se apóia no conhecimento adquirido pelo aluno antes de ingressar na escola. O texto escrito é a base do programa de alfabetização. A criança é incentivada a ler desde o começo e a reconhecer palavras que fazem parte do seu cotidiano. Não está associada a outras técnicas de ensino.

Alemanha: Método misto - Os estudantes têm liberdade para opinar sobre as ferramentas que serão utilizadas e não há um método fixo. O método fônico, baseado num conjunto de cartões em que são associas letras a imagens, é aplicado nas séries iniciais. Até que a criança esteja apta a decodificar um texto, a leitura é sempre feita com a ajuda deste sistema.

Itália: Método misto - Desde 1995 o país deixou de adotar apenas um método de ensino e passou a empregar uma concepção chamada de natural. O sistema italiano trabalha simultaneamente com instrução fônica, técnicas visuais e leva em conta também a experiência prática da criança a partir dos seis anos de idade.

Chile: Método holístico - O modelo utiliza o método fônico, mas não parte dos sons das letras isoladamente e sim das sílabas. O ensino baseado nos fonemas vem diretamente associado à compreensão do texto escrito, como forma de estímulo à leitura.

Israel: Método fônico - A maioria das escolas israelenses utiliza material didático que se apóia no ensino da relação entre sons e letras. No entanto, muitas são as escolas que usam ao mesmo tempo métodos alinhados à concepção construtivista.

Espanha: Construtivismo - As escolas espanholas partem do princípio que o texto integral deve ser usado desde o início da alfabetização e que a bagagem das crianças deve ser considerada. No entanto, as escolas utilizam diversos métodos, entre eles o fônico, para melhorar o desempenho dos alunos na compreensão de textos.

Inglaterra: Método fônico - O sistema de ensino inglês defende que a criança não aprende a ler simplesmente sendo colocada em contato com textos, sem a introdução de conhecimentos fônicos. O método prevê passos: primeiro a criança aprende a associar sons e letras, passa para o aprendizado de palavras e sentenças, para depois ter contato com textos integrais.

Portugal: Construtivismo - A exemplo da Espanha, Portugal também adota a concepção construtivista, tendo o texto como ponto de partida na alfabetização, sem deixar de lado o método fônico e cartilhas didáticas.

fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br

CORRENTES DE ENSINO

Tradicional: É uma proposta de educação centrada na figura do professor. O princípio é a transmissão de conhecimentos por meio da aula, freqüentemente expositiva, numa seqüência pré-determinada e fixa que enfatiza a repetição de exercícios com exigência de memorização. Muitas vezes não leva em consideração o que a criança aprende fora da escola.

Montessoriana: Criada em 1907, na Itália, pela fisioterapeuta e educadora Maria Montessori, essa concepção prega a auto-educação dos alunos com apoio de materiais didáticos. O professor assume um papel de observador e incentivador. A aprendizagem automotivada e individualizada é a essência do método.

Renovada: Trata-se de uma concepção que inclui várias correntes, as quais defendem a chamada Escola Nova ou Escola Ativa. Prega a valorização do indivíduo como ser livre, ativo e social. O centro da atividade escolar não é o professor nem o conteúdo disciplinar, mas sim o aluno, como ser ativo e curioso. O mais importante não é o ensino, é o processo de aprendizagem. O professor é um facilitador. A idéia do ensino guiado pelo aluno, em muitos casos, acabou por desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado sobre o que deve ser ensinado e aprendido.

Tecnicismo: Nos anos 70, surgiu um conceito batizado de "tecnicismo educacional". O que é valorizado nesse conceito é a tecnologia empregada. O professor passa a ser um especialista na aplicação de manuais e sua criatividade fica subordinada aos limites da técnica utilizada. Instituiu uma prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor.

Libertadora: No final dos anos 70 e início dos anos 80, ocorre uma intensa mobilização dos educadores por uma educação crítica a serviço das transformações sociais, tendo em vista a superação das desigualdades. A pedagogia libertadora tem suas origens nos movimentos de educação popular que ocorreram no final dos anos 50, interrompidos pelo golpe militar de 1964. Nesta proposta, a educação está centrada na discussão de temas sociais e políticos. O professor é um coordenador de atividades que atua conjuntamente com os alunos. O método Paulo Freire pode ser enquadrado dentro desta linha.

Crítico-social: A pedagogia crítico-social, que surge no final da década de 70, aparece como uma reação de alguns educadores à corrente libertadora, considerada omissa em relação ao chamado "saber elaborado". A concepção defende que não basta apenas discutir questões sociais da atualidade, mas que é necessário também enfatizar o conhecimento histórico.

Piagetiana: Surge com maior evidência a partir dos anos 80, baseada nos estudos de psicologia genética conduzidos por Jean Piaget. Nesta concepção, o enfoque está centrado no caráter social do processo de aprendizagem. Considera que além do domínio dos conhecimentos formais para uma participação crítica na sociedade, também é necessária uma adequação pedagógica às características de um aluno que pensa. Esse enfoque trouxe para a educação aspectos relevantes, principalmente no que diz respeito à forma de entender a relação entre desenvolvimento e aprendizagem.

Construtivista: É a linha atualmente seguida pelas escolas públicas brasileiras, preconizada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Surgiu em meados dos anos 80, a partir de estudos sobre a psicogênese da língua escrita, conduzidos por Emília Ferreiro e Ana Teberowsky. Enfatiza o conhecimento que a criança já tem antes de ingressar na escola. O processo de alfabetização está focado principalmente na língua escrita, ou seja, na leitura. Em alguns casos, no entanto, existem distorções na aplicação do conceito. Uma delas é a de que não se deve corrigir os erros dos alunos. Outra distorção é confundir o construtivismo com um método ou afirmar que ele é incompatível com outras técnicas.

fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br

MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO

Método sintético

O método sintético estabelece uma correspondência entre o som e a grafia, entre o oral e o escrito, através do aprendizado por letra por letra, ou sílaba por sílaba e palavra por palavra.

Os métodos sintéticos podem ser divididos em três tipos: o alfabético, o fônico e o silábico. No alfabético, o estudante aprende inicialmente as letras, depois forma as sílabas juntando as consoantes com as vogais, para, depois, formar as palavras que constroem o texto.

No fônico, também conhecido como fonético, o aluno parte do som das letras, unindo o som da consoante com o som da vogal, pronunciando a sílaba formada. Já no silábico, ou silabação, o estudante aprende primeiro as sílabas para formar as palavras.

Por este método, a aprendizagem é feita primeiro através de uma leitura mecânica do texto, através da decifração das palavras, vindo posteriormente a sua leitura com compreensão.

Neste método, as cartilhas são utilizadas para orientar os alunos e professores no aprendizado, apresentando um fonema e seu grafema correspondente por vez, evitando confusões auditivas e visuais.

Como este aprendizado é feito de forma mecânica, através da repetição, o método sintético é tido pelos críticos como mais cansativo e enfadonho para as crianças, pois é baseado apenas na repetição e é fora da realidade da criança, que não cria nada, apenas age sem autonomia.

Método analítico


O método analítico, também conhecido como “método olhar-e-dizer”, defende que a leitura é um ato global e audiovisual. Partindo deste princípio, os seguidores do método começam a trabalhar a partir de unidades completas de linguagem para depois dividi-las em partes menores. Por exemplo, a criança parte da frase para extrair as palavras e, depois, dividi-las em unidades mais simples, as sílabas.

Este método pode ser divido em palavração, setenciação ou global. Na palavração, como o próprio nome diz, parte-se da palavra. Primeiro, existe o contato com os vocábulos em uma seqüência que engloba todos os sons da língua e, depois da aquisição de um certo número de palavras, inicia-se a formação das frases.

Na setenciação, a unidade inicial do aprendizado é a frase, que é depois dividida em palavras, de onde são extraídos os elementos mais simples: as sílabas. Já no global, também conhecido como conto e estória, o método é composto por várias unidades de leitura que têm começo, meio e fim, sendo ligadas por frases com sentido para formar um enredo de interesse da criança. Os críticos deste método dizem que a criança não aprende a ler, apenas decora.

Método alfabético

Um dos mais antigos sistemas de alfabetização, o método alfabético, também conhecido como soletração, tem como princípio de que a leitura parte da decoração oral das letras do alfabeto, depois, todas as suas combinações silábicas e, em seguida, as palavras. A partir daí, a criança começa a ler sentenças curtas e vai evoluindo até conhecer histórias.

Por este processo, a criança vai soletrando as sílabas até decodificar a palavra. Por exemplo, a palavra casa soletra-se assim c, a, ca, s, a, sa, casa. O método Alfabético permite a utilização de cartilhas.

As principais críticas a este método estão relacionadas à repetição dos exercícios, o que o tornaria tedioso para as crianças, além de não respeitar os conhecimentos adquiridos pelos alunos antes de eles ingressarem na escola.
O método alfabético, apesar de não ser o indicado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ainda é muito utilizado em diversas cidades do interior do Nordeste e Norte do país, já que é mais simples de ser aplicado por professores leigos, através da repetição das Cartas de ABC, e na alfabetização doméstica.

Método fônico

O método fônico consiste no aprendizado através da associação entre fonemas e grafemas, ou seja, sons e letras. Esse método de ensino permite primeiro descobrir o princípio alfabético e, progressivamente, dominar o conhecimento ortográfico próprio de sua língua, através de textos produzidos especificamente para este fim.

O método é baseado no ensino do código alfabético de forma dinâmica, ou seja, as relações entre sons e letras devem ser feitas através do planejamento de atividades lúdicas para levar as crianças a aprender a codificar a fala em escrita e a decodificar a escrita no fluxo da fala e do pensamento.

O método fônico nasceu como uma crítica ao método da soletração ou alfabético. Primeiro são ensinadas as formas e os sons das vogais. Depois são ensinadas as consoantes, sendo, aos poucos, estabelecidas relações mais complexas. Cada letra é aprendida como um fonema que, juntamente com outro, forma sílabas e palavras. São ensinadas primeiro as sílabas mais simples e depois as mais complexas.

Visando aproximar os alunos de algum significado é que foram criadas variações do método fônico. O que difere uma modalidade da outra é a maneira de apresentar os sons: seja a partir de uma palavra significativa, de uma palavra vinculada à imagem e som, de um personagem associado a um fonema, de uma onomatopéia ou de uma história para dar sentido à apresentação dos fonemas. Um exemplo deste método é o professor que escreve uma letra no quadro e apresenta imagens de objetos que comecem com esta letra. Em seguida, escreve várias palavras no quadro e pede para os alunos apontarem a letra inicialmente apresentada. A partir do conhecimento já adquirido, o aluno pode apresentar outras palavras com esta letra.

Os especialistas dizem que este método alfabetiza crianças, em média, no período de quatro a seis meses. Este é o método mais recomendado nas diretrizes curriculares dos países desenvolvidos que utilizam a linguagem alfabética.

A maior crítica a este método é que não serve para trabalhar com as muitas exceções da língua portuguesa. Por exemplo, como explicar que cassa e caça têm a mesma pronúncia e se escrevem de maneira diferente?

Método da linguagem total

Também conhecido como “whole language”, a Linguagem Total, criada pelos lingüistas Keneth e Yetta Goodman, tem como principal tese a idéia de que se “aprende lendo”, e que, portanto, a utilização de imagens e sons deve ser evitada. Por este método, o professor apresenta textos para os alunos e os lê em voz alta, fazendo com que os estudantes acompanhem. A partir daí, a criança começa a conhecer a linguagem escrita, aprendendo as palavras, as sílabas e as letras.

Sem utilizar cartilhas, este método, que foi bastante disseminado nos Estados Unidos, teve como principal crítica a falta de questões relacionadas à compreensão da natureza alfabética do sistema de escrita e à aprendizagem do valor sonoro do alfabeto. Embora em menor escala, este método ainda é utilizado em estabelecimentos alternativos no Brasil.

Os parâmetros nacionais e o método construtivista


Os Parâmetros Curriculares Nacionais, também conhecido como PCN´s, são uma espécie de manual para as escolas sobre como deveria ser a orientação para o ensino, de acordo com o Ministério da Educação. Criado em 1998, este documento tem como função orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato com a produção pedagógica atual.

Os PCNs propõem um currículo baseado no domínio das competências básicas e que esteja em consonância com os diversos contextos de vida dos alunos. "Mais do que reproduzir dados, denominar classificações ou identificar símbolos, estar formado para a vida, num mundo como o atual, de tão rápidas transformações e de tão difíceis contradições, significa saber se informar, se comunicar, argumentar, compreender e agir, enfrentar problemas de qualquer natureza, participar socialmente, de forma prática e solidária, ser capaz de elaborar críticas ou propostas e, especialmente, adquirir uma atitude de permanente aprendizado", diz o documento.

Os PCN´s foram estabelecidos a partir de uma série de encontros, reuniões e de discussão realizados por especialistas e educadores de todo o país, de acordo com as diretrizes gerais estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases. Segundo o MEC, estes documentos foram feitos para ajudar o professor na execução de seu trabalho, servindo de estímulo e apoio à reflexão sobre a sua prática diária, ao planejamento das aulas e, sobretudo, ao desenvolvimento do currículo da escola, formando jovens brasileiros para enfrentar a vida adulta com mais segurança.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais defendem a linha construtivista como método de alfabetização. Surgida na década de 80, a partir de estudiosas da área como Ana Teberowsky e Emília Ferreiro, esta linha defende que a escola deve valorizar o conhecimento que a criança tem antes de ingressar no estabelecimento. A sua ênfase é na leitura e na língua escrita.

Os construtivistas são contra a elaboração de um material único para ser aplicado a todas as crianças, como as cartilhas, e rejeitam a prioridade do processo fônico. Por este método, as escolas, durante o processo de alfabetização, devem utilizar textos que estejam próximos do universo da criança.

Os defensores do método fônico culpam o construtivismo, base dos Parâmetros Curriculares Nacionais, pelos problemas de alfabetização no Brasil. Segundo os críticos, a concepção construtivista, em muitos casos, ignora que os estudantes de classe baixa, vindos de famílias menos letradas, trazem de casa uma bagagem cultural muito pequena, dificultando a sua adaptação a este método.

Fonte:http://pessoas.hsw.uol.com.br